Champagne ou Espumante?

Esta dúvida é já um clássico, mas acredito que haverá pouca gente que não sabe a resposta a isso. Pelo sim pelo não decidi escrever sobre o assunto principalmente para trazer um pouco de história sobre a bebida que acaba por ser imperial sobre todas as outras.

 

O Espumante (Sparkling Wine) é todo o vinho que sofre duas fermentações naturais. A primeira é a fermentação alcoólica, comum a todos os vinhos, que transforma o açúcar da uva em álcool e que ocorre em tanques ou barris de carvalho. A segunda, onde o espumante adquire a efervescência, tanto pode ocorrer em tanques de aço inox pressurizados (método charmat) como pode ser feita na própria garrafa (método champenoise ou tradicional/clássico).

Já o Champagne é um Vinho Espumante, mas é feito exclusivamente na Região Demarcada de Champagne – Ardenne. Esta Appellation d’Origine Contrôlée – AOC (que cá chamamos Denominação de Origem Controlada – DOC) foi delimitada em 1927 e ocupa uma área de 32 mil hectares (a região demarcada do Douro por exemplo, foi criada em 1756 e ocupa 250 mil hectares).

O nome Champagne não é uma AOC qualquer. É a mais rigorosa Denominação de Origem utilizada em França, e atrevo-me a dizer que é das palavras mais protegidas do mundo. Para terem uma ideia, a marca Yves Saint-Laurent (actual Saint Laurent Paris) teve que interromper o lançamento de um perfume que tinha chamado de Champagne e que alterar o seu nome para Yvresse. 

http://des-milliers-de-bulles.webnode.fr/elaboration-du-champagne/
Quando se fala em Champagne, os nomes Dom Pérignon e Dom Ruinart não nos são estranhos. Eles foram monges que ficaram ligados à produção desta bebida, por conseguirem “dominar” o vinho que, por fermentar dentro das garrafas, partia muitas delas. A Dom Pérignon deve-se a descoberta dos cinco principais elementos que em muito contribuíram para o Champagne ser como ele é hoje:
* A mistura de diferentes vinhos da região, conseguindo que o produto fique mais harmonioso.
* Separação e prensagem em separado das uvas pretas que predominam em Champagne, obtendo assim um cristalino sumo de uva.
* O uso de garrafas de vidro mais espesso para melhor aguentar a pressão da segunda fermentação em garrafa.
* O uso da rolha de cortiça, vinda de Espanha, que permitiu substituir o anterior sistema (pauzinhos de cânhamo embebidos em azeite).
* A escavação de profundas adegas, hoje galerias com vários quilómetros de extensão e usadas por todos os produtores, para permitir o repouso e envelhecimento do champanhe a uma temperatura constante.
Voltando então à dúvida inicial: Champagne ou Espumante?
Da mesma maneira que não chamamos Porto a um Vinho Fortificado do Alentejo, devemos ter o cuidado de não chamar Champagne a, por exemplo, um Espumante de Lamego ou da Bairrada. Reparem o preciosismo que tive, em escrever no post sempre Champagne e não Champanhe. Não foi por acaso. Se o nome é protegido eu respeito. 

Brinco muitas vezes quando dizem Champagne e querem dizer Espumante. A palavra Champagne está de tal maneira enraizada no nosso discurso, que a dizemos mesmo sem querer. Eu não sou excepção…

Mas pelo menos não digo “Vamos beber uma champanhe”…
Cheers,
João