Porto Vintage ou 20 Anos… whatever!??

João, tenho em casa um Vinho do Porto que me deram… estava guardado há uns 40 anos… acho que é um Porto Vintage ou 20 anos… whatever, é a mesma coisa! Vou reservar para uma ocasião especial… deve ser cá uma pomada!
Pois deve, disse eu, é capaz
Não tive coragem de lhe dizer mais nada, mas senti-me tentado em responder: “Ouve lá, oh meu pascácio, o Vinho do Porto, tal como todos os outros vinhos, também se estraga!!!” Pior, dá-me vontade de bater quando me dizem que Porto Vintage ou 20 anos (“bintanos” como se diz no meu Norte) é a mesma coisa. NÃO É. CLARO QUE NÃO É!!!
Vamos a esclarecimentos.
Há vinhos do Porto para todas as ocasiões e PREÇOS, desde os raros vinhos do Porto Vintage até aos vinhos do Porto envelhecidos em madeira, deliciosos e acessíveis para serem apreciados numa ocasião informal e descontraída. Os diferentes estilos de vinho do Porto derivam essencialmente das várias maneiras como este pode ser envelhecido. O seu potencial de envelhecimento e o facto de ser fortificado significam que o vinho do Porto irá continuar a melhorar no casco, no tonel ou na garrafa por muito mais tempo do que a maioria dos outros vinhos. A escolha do período de envelhecimento e do recipiente no qual envelhece irá determinar cada vinho do Porto.
Os vinhos do Porto podem ser divididos em duas grandes “famílias“: Vinhos do Porto envelhecidos em madeira, que envelhecem num casco normalmente feito de carvalho francês, e os Vinhos do Porto envelhecidos em garrafa que passam a maior partem das suas vidas a amadurecer em garrafa.
Dentro do grupo dos vinhos do Porto envelhecidos em madeira, existem três
principais estilos:
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Vinhos do Porto brancos, geralmente envelhecidos por dois ou três anos em grandes tonéis e que estão disponíveis em estilos mais doces ou mais secos.

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Vinhos do Porto tintos, que envelhecem por um tempo relativamente curto em grandes tonéis de madeira de carvalho. Estes incluem os vinhos do Porto Ruby, normalmente envelhecidos em cuba durante dois ou três anos, os vinhos do Porto Reserva, que são geralmente de maior qualidade e que envelhecem por um pouco mais de tempo e os vinhos do Porto Late Bottled Vintage (LBV) que permanecem em tonel entre quatro e seis anos. 

 

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Vinhos do Porto Tawny, que envelhecem por períodos mais longos em cascos de carvalho. Estes incluem os incríveis vinhos do Porto Tawny de 10, 20, 30 e 40 anos cujos aromas intensificam quanto mais tempo
estagiam em madeira.

 

Já o grupo dos vinhos do Porto envelhecidos em garrafa é composto principalmente pelos vinhos do Porto Vintage.

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O vinho do Porto Vintage representa a melhor produção de um único ano excepcional. Este vinho permanece em tonel por cerca de dois anos e é engarrafado sem filtrar, o que vai permitir envelhecer em garrafa. Estes vinhos repousam nas caves e estão entre os mais duradouros de todos os vinhos. Os vinhos do Porto Vintage são os mais estruturados e poderosos de todos os vinhos do Porto. Estão no topo de toda a hierarquia.
 

Outra coisa que muitas vezes dá origem a confusão é a idade dos Vinhos Tawny 10, 20, 30 ou 40 anos. Os Tawny são um blend (mistura) de vinhos de várias idades, e a média dessas idades dá então os anos que vêm referidos nas garrafas. Ou seja, dá a média que aquele vinho estagiou em contacto com o casco de madeira. No entanto, a partir do momento que é engarrafado, estes vinhos não envelhecem mais. Dou um exemplo para ser mais fácil. Uma garrafa de Porto 20 anos engarrafado em 1983, se for aberta hoje tem na mesma 20 anos e não 50 ou 51 anos.

Explicadas as coisas, agora não há desculpas para confundir estes vinhos. No entanto uma coisa é transversal a todos eles. Se não forem guardados em excelentes condições todos eles acabam por se estragar, mesmo os que envelhecem em garrafa.
Voltando ao início, Vintage ou 20 Anos whatever… o caraças!!! Não tem nada a ver… e amigo, se essa garrafa não for Vintage, ou se for, mas não foi imaculadamente guardada, deve estar “impacábel”. Deve, deve… uma rica pomada… que nem pra fazer vinagre deve servir… talvez para lavar os pés para amaciar os calos…Cheers,
João