Casa Vasco

Como é que alguém que diz que não sabe estrelar um ovo tem tanto sucesso no mundo da restauração, perguntam vocês?
Pois eu tenho uma teoria sobre Vasco Mourão… Provavelmente este prestigiado empresário de restauração contrata chefs especialistas em estrelar ovos, paga-lhes bem e mantém-nos motivados para que façam o seu trabalho de forma perfeita, sem deixar tostar as margens da clara nem cozinhar em demasia a gema.
E que bem que sabe um ovo bem estrelado… não concordam? É verdadeira comfort food ao mais alto nível, especialmente quando acompanhado do pão para molhar no cremoso amarelo a pingar no prato.
O Chef Camilo Jaña, Chileno de 35 anos, faz parte da equipa de Vasco (cujo império inclui o Cafeína, o Terra e mais recentemente o Portarossa) há já oito anos desde que, por provável obra do destino, veio de visita à irmã que morava no Porto e durante um almoço no Cafeína no próprio dia em que chegou a Portugal conseguiu, em conversa com o proprietário do restaurante, um estágio na cozinha.
“Cerca de um ano e meio depois de estar a trabalhar no Cafeína (…) o Vasco decidiu que eu deveria ser o coordenador. Fiquei a fazer o elo entre os dois restaurantes e a coordenação das duas equipas, e ao mesmo tempo vivia uma fase de grande interesse pela cozinha e pela criação de novos pratos, que com a abertura da Fooding House (Cafeína Wine & Tapas), tive mais rédea solta para poder desenvolver aquilo que era a minha visão e o meu objectivo. Em 2007, cerca de um ano após a abertura da Fooding House, o Vasco ofereceu-me o lugar de Chef do grupo, passando para mim a responsabilidade de criação das cartas e de desenvolvimento gastronómico, algo que sempre fez desde o início.
(Entrevista por João Oliveira – Flavors and Senses)
O mais recente projecto de Vasco Mourão, a Casa Vasco, que abriu no passado dia 8 no mesmo local onde outrora o Cafeína Wine e Tapas teve lugar, apresenta um menu recheado de tapas com inspiração Mexicana (ou será Chilena?), BBQs, sandochas e peixinho na brasa.Fomos experimentar no Domingo ao almoço depois de eu ter andado a pedinchar durante 3 dias.

Ao som de musica cubana, pedimos os ovos rancheros, espetada de salsicha fresca, abacate recheado com gambas, carpaccio ceviche de salmão e quesadillas de gambas. É incrível como tenho tantas saudades de Cuba sem nunca lá ter ido…
Para hidratar, sangria de Porto. Dois litros porque o dia está quente…
Não satisfeitos, os homens ainda pediram um prego no prato.

Não sou muito fã de comida mexicana, confesso. Talvez numa próxima oportunidade optemos pelo peixinho na brasa.
Nenhum dos petiscos nos fascinou tanto como o brownie de chocolate quente e frio que degustamos à sobremesa.. escoltado por uma quantidade generosa e absolutamente deliciosa de coli de frutos vermelhos. Provamos ainda o toucinho do céu com sorvete de laranja e a mousse de manga com gelado de iogurte, não tão surpreendentes como a escolha anterior.
A dolorosa: 22€/px

Como alternativa a outras esplanadas mais recatadas e tranquilas, em particular a do Portarossa que será motivo para um futuro post, a Casa Vasco será sempre uma escolha que recomendo.

Quando questionado sobre o motivo de tamanho sucesso, Vasco Mourão responde que “a simpatia é imprescindível, mas quando é natural, e não quando se confunde com subserviência ou excesso de zelo”. Sem dúvida um dos motivos pelos quais já experimentei todos os seus restaurantes. Uma e outra vez… e ainda outra.
Vou ter saudades da Fooding House – Cafeína Wine e Tapas local onde, numa outra vida, passei muito bons momentos… mas nada é insubstituivel e para melhor muda-se sempre.Recomendo que reservem mesa  se não querem passar uma eternidade à espera.
Faço votos de muito sucesso!

Boas garfadas,
Eva

www.facebook.com/aCasaVasco