Mateus Rosé, um vinho “pa”nisgas?

Estava eu dar uma vista de olhos pela aplicação da EV (Essência do Vinho), e deparo-me com o seguinte: “Mateus entre as 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo”.

Normalmente quando se fala de Mateus, há sempre alguém que diz: “Isso é vinho?”, “o vinho ou é branco ou é tinto!”, “as mulheres é que gostam disso!”. A minha favorita é “isso é um vinho panisgas!” Aqui fico sempre com dúvidas se quem diz isso quer dizer que o vinho em si é panisgas, ou se quer dizer que o vinho é pa (para) nisgas…
Com a pulga atrás da orelha decidi ler o artigo…
“Mateus, a icónica marca da Sogrape Vinhos, acaba de integrar o top das 50 marcas de vinho mais admiradas do mundo, divulgado este mês pela revista Drinks International.
A nomeação resultou de uma prova que reuniu um painel de mais de 200 profissionais da indústria do vinho, da qual Mateus se destacou como a única marca portuguesa a figurar na lista, ocupando a 37ª posição no ranking.”
Sempre considerei este vinho “polémico”, ou seja, os conservadores (duvido que a maioria deles alguma vez o tenha provado) não gostam deste vinho, dizem que é um vinho sem alma, sem corpo, um refresco. Mas saber que ocupa a 37º lugar nos vinhos mais admirados do mundo, levou-me a escrever este post e tentar perceber tudo isto.
Falando do vinho em si, nasceu em 1942, e surgiu como um vinho com um novo conceito, bem arrojado, apresentando-se numa garrafa original. Um vinho jovem, de cor rosada, fresco, levemente gaseificado e muito versátil. Na boca é um vinho muito equilibrado, com um final suave e ligeiramente “petillant” (espumante). É feito a partir de castas tintas nacionais – Baga, Refute, Tinta Barroca e Touriga Franca entre outras. A vinificação segue o método tradicional dos vinhos brancos e a fermentação decorre lentamente, sem as películas das uvas. (Ana, sempre a considerar)
Este vinho tem muitas histórias e curiosidades à sua volta. Uma das coisas que fez disparar as vendas deste vinho foi a célebre fotografia do Jimi Hendrix.
In: http://crosstowntorrents.org
Mas não é só por isso que este vinho é um autêntico fenómeno pop. Ele está ligado a diversas e tão diferentes personalidades como por exemplo Amália Rodrigues, Fidel Castro, Saddam Hussein (“diz que” era o seu vinho favorito) e Rainha Elizabeth II (costumava encomendar regularmente Mateus Rosé para acompanhar os seus jantares no Hotel Savoy). Em 1974, temendo a evolução da situação económica e social do país devido à revolução, os Estados Unidos tomaram medidas preventivas contra um possível embargo comprando 1.7 milhões de caixas de 12 garrafas de Mateus.
Para se ter uma ideia da… chamemos-lhe “qualidade” deste vinho, deixo aqui a lista de prémios que Mateus Rosé Original já trouxe no saco:
2004 – medalha de ouro – Munshänkarna, Wine of the Year, Finlândia
2005 – medalha de prata – Mondial du Rosé, França
2008 – medalha de prata – Le Mondial du Rose
2009 – medalha de ouro – Concours International des Rosés du Monde
2009 – medalha de ouro – BT , Dinamarca
2010 – medalha de prata – Le Mondial du Rose
2010 – medalha de prata – Le Mondial du Rosé, França
2011 – medalha de prata – Concours International des Rosés du Monde, França
2012 – medalha de ouro – Concours International des Rosés du Monde
2012 – medalha de prata – Concours International des Rosés du Monde, França
2013 – medalha de prata – Le Mondial du Rosé, França
Bem vistas as coisas, é provavelmente o vinho Português mais medalhado, mais vendido, com mais fãs… mas isso tudo lá fora claro, ou não fossemos nós Portugueses.
Eu sempre gostei de experimentar vinhos, e nunca tive qualquer complexo em beber vinhos rosados. São sempre vinhos muito leves e frescos. Sente-se sempre muita fruta e aromas florais. Os taninos (muito provavelmente por ser fermentado sem as cascas das uvas) praticamente não estão presentes nestes vinhos.
É um vinho fantástico para um fim de tarde, ou um pôr do sol. Faz concorrência sem dúvida à nova moda das sidras que tanto se bebeu nas esplanadas. E como vinho versátil que é, serve para acompanhar de uma maneira descontraída pratos leves como saladas, carnes brancas, peixes, mariscos e massas. É na minha opinião um excelente vinho para aperitivos, ou para acompanhar tapas.
Numa prova que fiz de vinhos Sogrape, estava ao meu lado um Finlandês que quando provou este vinho disse: “Spring!!”. E não é que tem toda a razão? Mateus faz-nos viajar para a Primavera, pelos seus sabores, aromas e cor.

 

Voltando ao início…
“Isso é vinho?” É sim.
“O vinho ou é branco ou é tinto!” Branco, tinto… ou rosado. A evolução é uma constante.
“As mulheres é que gostam disso!” Aqui dou razão às mulheres então.
“É um vinho “pa”nisgas?” Até lhe podem chamar isso, mas fiquem com a noção que é um “pa”nisgas bem lançado… Estima-se que já tenham sido vendidas 1.060.000.000 garrafas de Mateus até à altura em que escrevo este post…
Cheers,
Joãohttp://mateusrose.com/
https://www.facebook.com/mateusroseph