The Yeatman

No dia 8 de Março o meu marido presenteou-me com um almoço no The Yeatman. Não me disse onde ia levar-me e por isso quando me apercebi já à chegada de qual seria o nosso destino fiquei com vontade de voltar a casa para vestir a saia travada abaixo do joelho e calçar aqueles sapatinhos super altos que só saem à rua em dia de casamento… Acabei por me render à evidência de que não seria hipótese voltar a casa e lá fui com a minha calça de ganga rasgada, bem gira por sinal e o sapatinho azulão que vai bem com tudo.
Subimos a escadaria e dirigimo-nos ao salão do restaurante. Fomos encaminhados até à mesa que nos estava destinada ao pé da janela. Recordei a vista maravilhosa que outrora tanto apreciei naquele Sunset Vínico… Ao invés dessa ocasião, desta vez não havia música ambiente o que torna o local desconfortável. As conversas sussurradas que mantivemos na nossa mesa eram interrompidas pelas gargalhadas daquele grupo de Brasileiros que estavam na mesa ao fundo da sala e o silêncio permitiu que pudéssemos apreciar toda a conversa das senhoras espanholas na mesa ao lado.
A sala tem uma decoração clássica em nada coincidente com o meu gosto pessoal… Mas que importância tem a decoração da sala quando se pode disfrutar da melhor vista sobre a Cidade Invicta?

O restaurante recebeu uma estrela na edição de 2012 do Guia Michelin e tornou-se, ainda mais do que anteriormente, um ícone turistico da região do Douro. O Chef Ricardo Costa, 34 anos, natural de Aveiro passou pelas cozinhas do El Girasol em Alicante, Porto Novo – Sheraton Porto Hotel & Spa, The Portal em Londres e Largo do Paço em Amarante onde se estreou nas estrelas. Em 2013 foi galardoado com o prémio “Arco Atlântico Gastro 2013” na categoria de “Melhor Cozinheiro de Portugal”.
Repito… 34 anos.
Cortesia do chef, serviram como amouse bouche uma amorosa combinação de pequenas iguarias: cone com mousse de chocos e caviar, ravioli com recheio de foie, almondega de leitão e croquete de bacalhau e presunto. Numa segunda fase tempura de ovas de salmão, macaroon com recheio de enguia e caviar, e terrina de leitão.
Na nossa primeira visita ao The Yeatman já tinhamos sido presenteados com alguns mimos gastronómicos. Nunca vou esquecer a azeitona molecular, uma das iguarias mais incríveis e mais dignas de uma estrela michelin que já tive o prazer de experimentar. Numa colher de prova vinha a azeitona, com o aspecto típico verde e brilhante. Quando a coloquei na boca tinha uma textura mole, como um pequeno balão, e explodiu literalmente libertando uns sucos deliciosos. O chamado efeito Wow!
E ainda… Ostra fresca com tempura de algas. Maravilhosa. Dito por quem não aprecia ostras. Para mim as ostras sabem demasiado a mar. Recordam-me as férias de Verão da minha infância, os mergulhos no mar e a aflição da água salgada gelada a entrar pelo nariz. As ostras deixam-me a mesma sensação da garganta “queimada” pelo sal…
Em ambas as visitas as ostras estavam absolutamente divinais, o travo salgado bem disfarçado com caldo de cebolinho ou molho de açafrão. Suave e delicioso…
O menu é realmente reduzido, limitado a duas entradas e seis pratos principais. Um bom restaurante não precisa de muita variedade de pratos. Dessa forma o chef pode colocar toda a sua dedicação na confecção e apresentação das suas criações e todos os pratos se tornam absolutamente fenomenais.
Como entrada, Foie Gras & Rabo de Boi (marmoreado de foie gras e rabo de boi estufado, pêra bêbada, folhas do campo e gelado de beterraba) e Creme aveludado de cogumelos com croquete líquido de aipo, tomilho e azeite de trufa regados com Oboé Reserva branco de 2009.

Antes do prato principal ainda nos serviram mais uma fabulosa e surpreendente criação do chef… Crocante com ovo líquido (cozinhado a 65º durante uma hora e meia), molho de aves e cogumelos. Muito, muito bom. Na minha opinião, talvez o melhor prato de toda a refeição.
Escolhemos como prato principal Caça & Cogumelos (arroz caldoso de caça e cogumelos, tomilho e azeite de trufa) e Leitão de Porco Bísaro (perna de leitão cozinhada a dois tempos, cabidela, cevadinha e molho de ameijoas). Se bem se lembram, já no post sobre o Ferrugem vos dizia que adoro esta maravilhosa tendência de utilizar produtos muito tradicionais (bacalhau, leitão, tomilho, cabidela, presunto, …) com um twist de modernidade. Soberbo e genial.
Optamos por trocar a sobremesa por um LBV Niepoort 2008 e um Tawny Graham’s 10 anos sob o sol que invadia a varanda. Um local delicioso para passar a tarde à conversa…
No final, a dolorosa. Ai que dor… 219€ por um local e culinária inigualáveis na cidade do Porto.
Para repetir, muito de vez em quando…
Boas garfadas,
Eva
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