Bolo de caneca

Há dias a minha irmã saiu-se com “hoje, para o pequeno almoço, fiz um bolo de caneca!”. Eu parei o que estava a fazer e respondi com aquele olhar semicerrado de profunda incógnita e alguma preocupação… “Tu estás bem? O que raio é um bolo de caneca?!”.
Trouxe-me um pedaço de bolo com forma cilíndrica e lá explicou que o bolo de caneca, como o nome obviamente indica, é um bolo feito numa caneca. Desculpem… um bolo com um aspecto ridículo, feito numa caneca.
“Basta juntares alguns ingredientes em pequenas quantidades… misturas… colocas no micro-ondas 3 minutos e tens um bolinho quente! Fácil! E há milhões de receitas na internet…”. Nunca eu tinha ouvido falar de tal invenção. Pareceu-me terrivelmente parvo mas eventualmente útil.
Dediquei-me à minha pesquisa na maravilhosa world wide web e deparei-me com uns pormenores engraçados sobre a história do bolo de caneca. Obviamente que se trata de uma tradução (brasileira) à letra dos cupcakes que estão super na moda nos dias que correm. Descobri que o termo cupcake apareceu pela primeira vez em 1828 referido por Eliza Leslie no seu livro “Receitas”. Eliza denominou desta forma os bolos que preparava com ingredientes medidos em chávenas. Como este método facilitava imenso o trabalho na cozinha rapidamente se tornou uma moda. Surgiu o 1234 cake, assim denominado por incluir como ingredientes 1 chávena de manteiga (que abuso!!), 2 chávenas de açúcar, 3 chávenas de farinha e 4 ovos.
O termo cupcake mais tarde adoptou um duplo significado e foi aplicado aos bolos que eram cozinhados em canecas, chávenas ou pequenos recipientes para que o processo de cozedura se tornasse mais rápido. Actualmente os cupcakes adoptaram todo o tipo de forma e uma variedade incrível de decorações coloridas e sugestivas.
Eu não sou muito fã, confesso. No fundo não passam de pequenos bolinhos de uma massa básica e muitas vezes sem sabor cobertos por quantidades industriais de pasta de açúcar repleta de corantes… Para piorar o quadro, habitualmente são caríssimos. Não entendo o porquê de tanto sucesso.
No dia seguinte apareceu-me, como por magia, à porta de casa uma embalagem de “preparado para bolo na caneca”, obra da minha irmã, claro. Decidi de imediato fazer uma mousse de chocolate. Habitualmente compro queques de chocolate para misturar aos pedaços na mousse mas desta vez o plano era utilizar o bolo dji canéca, fáciu prá caramba. Assim foi. Mistura-se o conteúdo da embalagem em 20cl de leite numa caneca com ajuda de um garfo para evitar grumos, aquece-se na potência máxima do micro-ondas durante 3 minutos e… voilá!

Ana, agradeço mais uma vez todo o conhecimento que diariamente me transmites e que me tornam uma pessoa melhor e mais preparada para as dificuldades e desafios que a vida teima em me proporcionar…

Confirma-se… Bolo de caneca, parvo mas útil.

Boas garfadas,
Eva