Gin para Totós (2), Água Tónica

 

– Com este clima maravilhoso que estamos a passar, sabes o que
me apetecia? Era assim uma bebida bem fresquinha…
– Que tal um Gin?
– Isso é que era de valor…. Mas espera lá, e onde é que vamos?
– Vamos a minha casa. Li no outro dia um post num blog que deu umas dicas a explicar como se faz… se calhar já viste… chama-se TripasVisor… fala de comidas, bebidas e outras coisas boas da vida!!!
– Eu no Gin sou um Totó, nem sei o que é a Água Tónica!!!!
– Então eu explico…
A Água Tónica, ou apenas Tónica, é um refrigerante de sabor amargo, que na sua composição leva um sal (hidrocloreto de quinina) extraído da casca da árvore de cinchona, que é mais conhecido como quinino. O quinino sintético é
agora também utilizado, mas principalmente nas Tónicas não premium.
A Água Tónica, como conhecemos, surgiu na Índia, no período colonial do Império Britânico. Por esse motivo, vemos em muitas Tónicas escrito “Indian Tonic”.
No início a Água Tónica foi somente utilizada como medicamento no combate à malária. O quinino ainda hoje é empregado no tratamento, mas a Água Tónica atualmente industrializada e distribuída no mercado não possui propriedades medicamentosas sendo apenas um refrigerante.
É impossível falar de Água Tónica sem falar na marca Schweppes®. É sem dúvida a marca que vem logo à cabeça quando se fala em Tónica. Mas porquê? O que tem essa Tónica de especial? Esta marca, atrevo-me a dizer, é a responsável pela Água Tónica ser hoje o que é. No final do século XVIII, Johann Jacob Schweppe, cientista amador, desenvolveu um processo para o fabrico de água mineral com gás, com base num processo descoberto por Joseph Priestley. Em 1771, este tal de Schweppe criou tão simples e só o refrigerante engarrafado mais antigo do mundo. Queres saber qual é? Pois bem, foi mesmo a Água Tónica…
– Ouve lá, já vi que andaste a ler umas coisas, mas sabes “botar” isso em condições?
– Não há a maneira correcta de colocar a Tónica… Aqui mais do que nunca vemos que “cada tolo tem a sua mania”…
A Tónica deve ser deitada o mais lentamente possível, para que deste modo preserve as bolhas do gás carbónico ao máximo (aqui é o único ponto em que os tolos estão todos de acordo). Porquê? Porque são as bolhas de gás que, quando depois de ir ao fundo do copo voltam a subir, fazem a mistura do Gin com a Tónica.
Vou tentar descrever as formas mais habituais de colocar a Tónica. A maneira mais básica de deitar a Tónica, e para quem não tem colher de cocktail, é directamente da garrafa para o copo de balão, tentando que escorra pela parte interna do copo.

A partir daqui começam as técnicas propriamente ditas, ou seja, começa o
ritual da Tónica, ou se preferires o show off da coisa… 🙂

Uma das maneiras é com a ajuda da pinça do gelo, ou da colher de cocktail, levantar uma pedra de gelo, e deitar a Tónica através desta. 

 

Outra maneira, e talvez a mais usada, é encostar a colher na horizontal ao copo com a parte convexa virada para cima, e deitar a Tónica através da colher. 

 

A maneira mais difícil de deitar a Tónica, mas também a que dá mais espetáculo, é colocar a colher na vertical no copo, e fazer escorrer a Tónica em espiral desde o topo da colher. 

 

Esta última é, na minha opinião, a maneira que nos obriga a fazê-lo mais lentamente. No entanto, segundo estudos feitos pela Schweppes®, com esta técnica perdemos muito gás porque a Tónica percorre um longo percurso através da colher…
– E agora? Em que ficamos?
– Queres saber como eu coloco? Eu faço uma versão desta última, ou seja, coloco através da espiral da colher, mas encosto a garrafa da Tónica, não no topo da colher, mas o mais em baixo possível… Deste modo, coloco bem devagar, como não percorre toda a colher, perde menos gás, é elegante porque se usa a colher, e dá “ganda pinta”…

 

– Fogo… isso deve ser fixe… e o que é preciso levar mais?
– Olha traz citrinos, especiarias e ervas aromáticas, que na próxima vez explico como se aromatiza…
Cheers,
João