Cozinha da Terra

Há sítios que nos marcam, onde nos apetece voltar sempre. Conheci a Cozinha da Terra há 4 anos num dia especial, o meu aniversário. O meu pai recomendou que fossemos experimentar um restaurante de cozinha tradicional portuguesa que ficava perto do fim do mundo, lá numas ruelas em Paredes. Tinha visto uma reportagem no Porto Canal e ficou fascinado.
A proprietária, a D. Teresa, herdou da mãe a paixão pela cozinha e diz ter crescido no meio dos tachos. Foi na casa onde nasceu que decidiu abrir o restaurante com que há muito tempo sonhava.

Trata-se de uma casa tradicional antiga muito acolhedora. Entrámos pela enorme cozinha povoada pelo rebuliço de cozinheiras devidamente fardadas a preceito onde outrora a D. Teresa terá aprendido tudo o que sabe… Convidaram-nos a sentar e num instante a mesa ficou repleta de apetitosas entradas: queijo com passas e mel, bola de carne, sonhos de bacalhau, alheira, gratinado de legumes e de salientar uns pastéis de massa tenra e vitela de comer e chorar por mais. É a recordação mais intensa e incrível que guardo desse almoço. A empregada explicou-nos que os pastéis são confeccionados com carnes de animais criados na quinta assim como acontece na confecção de quase todos os pratos. Infelizmente os pastéis raramente estão disponíveis, para que os possam degustar é recomendado que os encomendem previamente na reserva.
A ementa de pratos principais altera com frequência dependendo do grau de inspiração e da vontade de inovar da D. Teresa, sendo por isso apresentada verbalmente: arroz de costelinha e grelos, arroz de pato do campo alourado no forno (fabuloso!), folhado de galo acompanhado de arroz de grelos, rojões, bacalhau no pão (já estou a babar), polvo assado no forno, entre outros…

 

Para sobremesa: vulcão de chocolate, gelado caseiro com frutos vermelhos, creme queimado, … e perdoem-me se não me lembro do resto das sobremesas, é que há uma que me prende sempre a atenção: queque de noz com gelado de ovos moles e cobertura de ovos moles. Eu sei, tem um aspecto de “experimentei uma receita nova e não correu bem” mas acreditem que é soberbo! Verdadeira e genuinamente “heaven on earth”.
Eu devia ser uma pessoa mais de salgados ou mais de doces mas não… Sou de tudo. E de preferência muito!
Entretanto já regressei em várias situações. Já este ano finalmente apresentei a Cozinha da Terra a alguns amigos e decidimos marcar anualmente uma almoçarada daquelas em que passámos 3 horas à mesa entre garfadas, brindes e histórias sem fim. Todos os últimos sábados de Dezembro lá estaremos para que possamos entrar no novo ano devidamente consolados e com espírito positivo! E um pouquinho mais pobres também…

Recomendo que quando quiserem experimentar esta maravilha do mundo culinário:
* Reservem mesa com alguma antecedência (se não querem bater com o nariz na porta)
** Disfrutem com tempo e sem pressa, e não se preocupem com o passar da hora porque aqui não há o hábito de rodar as mesas, ninguém estará de braços cruzados e pézinho a bater no chão com cara de “já desamparavam a loja…” à espera que libertem a mesa.
*** Visitem o restaurante ao almoço. Na única situação em que lá fomos jantar andei às voltas na cama sem conseguir adormecer. Às 5h da madrugada acabei por desistir e lá fui preparar um chazinho quente…
**** Não se esqueçam de encomendar os pastéis de massa tenra!! (Ok, Ana Claudia?)
Boas garfadas,
Eva