Beijing

Foi a primeira vez que estivemos na China. Quando decidimos os destinos de férias deste ano, depois de umas semanas de reflecção sobre o assunto, eu torci o nariz. Nunca tive curiosidade em conhecer a China, excepto quando de passagem pelas Phi Phi há dois anos atrás um senhor brasileiro, um bancário bem simpático dos seus 50 anos, nos incentivou compulsivamente a visitar Shanghai. “É o centro do Mundo, esqueçam Nova York!!”, dizia ele como se de um agente de viagens se tratasse.
Acabei por me convencer de que ia ser mais uma aventura e a excitação da possibilidade de encontrar uma cultura diferente de tudo o que já conhecemos instalou-se.
Fico feliz por ter as expectativas bastante baixas em relação ao povo chinês, caso contrário teria ficado francamente desiludida. Salvo raríssimas excepções (agora de repente não me recordo de nenhuma) são sujos, mal educados, mal humorados e rudes quanto baste. Todos cospem no chão, acotovelam-se para entrar no metro como se a sua vida dependesse disso, passam à frente nas filas, dormem em qualquer canto, no meio da rua e nas mesas dos restaurantes… e não falam Inglês. Só uma percentagem incrivelmente baixa da população “arranha” um Inglês muito rudimentar.
Não tive acesso ao blog durante a estadia em Pequim. Há um controlo rigoroso de todas as formas de liberdade de expressão. É engraçado que quando estamos longe estas “pequenas coisas” geram uma melancólica saudade do nosso pequeno país. Portugal mete a china no bolsinho das moedas em alguns aspectos. Fiquei sem perceber como é possível que um país pejado de taxistas que recusam trabalhar porque não lhes compensa transportar os turistas apenas por cinco ou seis quilómetros e que agridem os clientes quando estes insistem que precisam de transporte esteja lentamente a dominar o Mundo.
Pequim valeu pela Cidade Proibida e pela Muralha. A grande e imponente Muralha da China.
Como fazemos habitualmente em todos os locais que visitámos na Ásia tentámos comer na rua. Fomos experimentar a rua Wangfujing onde se concentram bancadas de produtos típicos, recordações e muita comida. Bem, eles por aqui chamam-lhe comida. No meu caso, eu teria que estar há três anos numa ilha deserta sem comer para experimentar algumas das iguarias.
Numa das noites experimentámos o que é considerado o melhor restaurante de Pato à Pequim nos guias da cidade. O Da Dong é um restaurante elegante nitidamente acima das possibilidades dos habitantes locais. Pedimos, obviamente o pato. Entre risadas nervosas por não dominar minimamente o Inglês, o empregado que estava destinado à nossa mesa explicou a forma apropriada de saborear o pato. A pele deve ser acompanhada por uma camada de açúcar. Pode parecer estranho mas resulta muito bem. O restante temperado com molho de soja, alho e legumes finamente fatiados  é colocado no interior dos crepes enrolados de forma especifica. É lógico que aldrabamos um pouco a preparação dos rolinhos porque nos falta a perícia e a prática.
No final pedimos a lista de sobremesas mas foi-nos recusada devido ao adiantar da hora… Aproximavam-se as 22h30 e a esta hora podíamos apreciar a correria na arrumação das mesas à nossa volta. Num restaurante igualmente requintado em Portugal seria impensável uma situação semelhante.
Se recomendo o DaDong? Não, mas pelos vistos é do melhor que há por aqui. Bem, o pato deixava-se comer mas os acompanhamentos… Sopa que sabe a água de cozer o bicho, gelado de feijão e uvas em cama de fumo (habemus uvas!).
Beijing, uma experiência que ficará para sempre na memória. Infelizmente não pelos melhores motivos.
Boas garfadas,
Eva